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| © Fornecido por El Pais Brasil Um roteador da Cisco, a empresa que detectou o malware. |
Um alerta sem precedentes e com um
alcance que pode ser considerado maciço: o FBI detectou que hackers da Rússia estariam introduzindo um
malware que se apropriaria do roteador doméstico. As
autoridades norte-americanas identificaram esse malware como sendo o VPNFilter,
que assumiria o controle do nosso roteador para propagar ataques mundiais
coordenados, além, claro, de registrar toda a atividade na rede dos
dispositivos conectados. A gravidade desse ataque é tamanha que os hackers poderiam anular por
completo a conexão à Internet em zonas inteiras, e o que é mais preocupante,
promover ataques maciços a alvos determinados.
Ainda não se conhece o
alcance dessa infiltração, mas estima-se que estariam afetados mais de meio milhão
de roteadores domésticos em todo o planeta, e, dada a configuração em rede
desse tipo de ataques, é provável que esse número dispare exponencialmente a
cada minuto. O funcionamento é o seguinte: um roteador afetado pelo VPNFilter
fica em modo adormecido à espera de receber instruções para um ataque
coordenado contra um alvo determinado pelos hackers. Enquanto isso, registraria
toda a informação proveniente de nossa atividade na rede (sim, senhas também),
e os investigadores que identificaram o hack comprovaram a
existência de um “botão letal” mediante o qual os invasores poderiam inutilizar
definitivamente o aparelho.
Em uma ação coordenada em
grande escala, o VPNFilter poderia inutilizar a conexão à Internet em bairros ou cidades
inteiras, dada a grande quantidade de marcas afetadas. O FBI enumerou em uma
lista os equipamentos vulneráveis, mas ressalvou que isso não significa que
todos os aparelhos na lista estejam afetados ou sejam suscetíveis a isso. Ela
inclui fabricantes como Netgear, TP-Link e Linksys, mas pode haver muitos
outros. O que fazer em todo caso? As autoridades recomendam algo muito simples:
reiniciar o roteador (desligá-lo da tomada e voltar a conectá-lo); com esse passo
se inutilizaria o malware na maioria dos casos, embora tampouco haja garantias
disso.
Os especialistas da Cisco,
empresa que teria detectado o ataque inicialmente, vão além recomendações:
resetar o dispositivo para a configuração de fábrica, assegurando-se de que não
há rastro do malware. Esta medida é mais definitiva, mas pouco recomendável
para quem não tem um conhecimento elevado nesse tipo de equipamento, já que nos
obriga a configurar o roteador internamente (a grande maioria dos roteadores é
entregue pelo provedor de Internet e vem configurada de fábrica). Uma medida
adicional e que sempre é recomendável: alterar a senha do painel de controle
que dá acesso ao roteador. Os especialistas recomendam, do mesmo modo,
assegurar-se de que o roteador já usa a última versão do firmware (cabe esperar
que os fabricantes puseram mãos à obra para conter o problema).
Especialistas consultados
pelo EL PAÍS qualificam a recomendação de reiniciar o roteador como
“desesperada”, mas a medida não soluciona o problema de fundo: “Reiniciar um
roteador pode devolvê-lo a um estado prévio ao da sua infecção, mas não o
protege contra uma nova”, explica Fernando Suárez, vice-presidente do Conselho
Geral de Colégios de Engenharia Informática da Espanha. O roteador é sempre um
dispositivo “mais vulnerável”, segundo esse especialista, já que geralmente é
comercializado com a configuração de fábrica, “e em ambientes pequenos não são
protegidos com ferramentas como antivírus”.
El
País
