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| © Fabio Rodrigues Pozzebom/Antonio Cruz/Agência Brasil O procurador federal Deltan Dallagnol e o ministro da Justiça Sergio Moro |
O site The
Intercept Brasil divulgou novos trechos de uma série de diálogos atribuídos ao ex-juiz federal
Sergio Moro, hoje ministro da Justiça do governo Bolsonaro, e o procurador
Deltan Dallagnol, do Ministério Público Federal. De acordo com o site, o
objetivo é mostrar o contexto das conversas em que o então juiz da Lava Jato
orienta ações do MPF no âmbito da operação, o que reforça a atuação conjunta
entre os dois. As mensagens divulgadas foram trocadas entre outubro de 2015 e
setembro de 2017.
Os
diálogos no aplicativo Telegram foram obtidos, segundo o site, por uma fonte
anônima que compartilhou o material. Em uma das novas passagens
divulgadas pelo site, Deltan expressa a Moro sua preocupação em relação ao
sigilo de um processo que está com o juiz, que disse que os envolvidos já
sabiam que haviam sido delatados. “A divulgação dificulta BA [busca e
apreensão] e especialmente prisão. Eles virão explicar, peticionar, entrarão
com HC [habeas corpus] etc. Falo sem estudar o caso e repassarei sua
consideração”, diz o procurador.
Entre
os trechos divulgados, também está a indicação, por parte de Moro, de uma
pessoa “aparentemente disposta” a falar sobre imóveis relacionados ao petista. “Liguei e ele arriou. Disse que não tem nada a
falar etc… quando dei uma pressionada, desligou na minha cara… Estou pensando em
fazer uma intimação oficial até, com base em notícia apócrifa”, relata Deltan.
O ex-juiz expressa sua dúvida na indicação de uma fonte intermediária e
recomenda ao procurador falar com uma outra pessoa.
Em fevereiro de 2016,
quando o impeachment de Dilma Rousseff já tramitava na Câmara dos Deputados,
Deltan expressa sua preocupação com a segurança de Moro. O juiz pergunta se não
seria o caso de inverter a ordem de duas operações planejadas, ao que o
procurador também vê risco de ser “atropelado” pelo andamento da operação em
São Paulo e Brasília.
Na
mesma época, Moro discute com Deltan como responder a notas do Partido dos
Trabalhadores. “O que acha dessas notas
malucas do diretorio nacional do PT? Deveriamos rebater oficialmente? Ou pela
Ajufe [Associação dos Juízes Federais]?”, pergunta Moro. Deltan responde: “Na minha opinião e de nossa assessoria de
comunicação, não, porque não tem repercutido e daremos mais visibilidade ao que
não tem credibilidade Contudo,
vale contestar IMPLICITAMENTE e sem referência direta em manifestações públicas
(e em seu caso, decisões).”
No dia 13 de março, quando
aconteceu uma das maiores manifestações pelo impeachment de Dilma, Deltan fez
uma série de elogios a Moro, homenageado pelo público na ocasião. “E parabéns pelo imenso apoio público hoje. Você
hoje não é mais apenas um juiz, mas um grande líder brasileiro (ainda que isso
não tenha sido buscado). Seus sinais conduzirão multidões, inclusive para
reformas de que o Brasil precisa, nos sistemas político e de justiça criminal.
Sei que vê isso como uma grande responsabilidade e fico contente porque todos
conhecemos sua competência, equilíbrio e dedicação.”
Moro respondeu: “Fiz uma manifestação oficial. Parabens a todos
nós. Ainda desconfio muito de
nossa capacidade institucional de limpar o congresso. O melhor seria o
congresso se autolimpar mas isso nao está no horizonte. E nao sei se o stf tem
força suficiente para processar e condenar tantos e tao poderosos.” O
procurador aproveitou para pedir o apoio do juiz ao projeto de dez medidas
contra a corrupção. “A sociedade quer mudanças, quer um novo caminho, e espera
líderes sérios e reconhecidos que apontem o caminho. Você é o cara”, escreveu
Deltan.
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