Ao transformar antigos ministérios em meras secretarias subordinadas a outras pastas, como é o caso da Cultura, que virou um apêndice do Turismo, ou a Saúde, comandada por um general da ativa ou, ainda, a Fundação Palmares, entregue a um afrodescendente que nega a existência do racismo, o governo instala a desorganização pela desestruturação.
Não é difícil entender porque o conceito de excelência dos gestores
em cargos estratégicos, como a Educação, até recentemente ocupada por um
incendiário de extrema direita, conta com o completo desapreço por parte do
chefe da Nação, que troca ministros como se eles fossem peças de um tabuleiro
de dama, já que xadrez seria por demais complicado no caso em questão.
Daí os critérios usados por Bolsonaro para empreender no governo escolhas
em total desacordo com as necessidades do País. Ou seja, se vivemos uma
pandemia de proporções épicas, com efeitos desastrosos para a economia, melhor
ter um general de três estrelas da ativa especializado em logística.
O desmonte que o governo federal da atualidade promove junto aos
órgãos ambientais, fazendo mudanças até mesmo no Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (IMPE), criado na ditadura militar a partir de parâmetros
técnicos e jamais políticos, dá bem a medida da ação devastadora de Bolsonaro
sobre a governança do País.
Só que as consequências desses atos tão rápidos também vêm a cavalo
na medida em que o País se isola do mundo, promovendo uma pauta absolutamente
desastrosa para os interesses nacionais.
Basta ler o noticiário todos os dias para saber que, a cada 24
horas, o Brasil se complica num setor diferente da sua vida interna e de seus
interesses externos.
Nesse caso, a pressa não é apenas inimiga da perfeição como é
também íntima do caos e do desastre.
Agora RN
