Sabe-se que
esse segmento parlamentar nascido com a Nova República tem como característica
indelével cobrar caro seus apoios quando os clientes necessitam dele
desesperadamente.
E não há ali
qualquer senso de dever nem de solidariedade, e muito menos de justiça. Por
isso mesmo, o grupo é menos conhecido por suas bandeiras e mais pela
característica de se aliar a governos diferentes, independentemente da
ideologia.
Por ser amplo
e espraiar-se por quase todos os partidos, o Centrão não é nem unido a si
mesmo, tendo representantes negociando seus próprios interesses a todo o tempo.
A exemplo do
que já aconteceu em outras gestões, as negociações do Centrão envolvem sempre a
distribuição de cargos aos partidos, que terão o direito de indicar aliados
para as vagas. Essa é a moeda de troca principal, pode-se se dizer assim.
É o número
desses parlamentares que barrará qualquer pedido de impeachment de Bolsonaro,
caso o presidente da Casa, Rodrigo Maia, resolva aceitar, o que é improvável.
No começo da
relação, o Centrão aceita o que vem, mas à medida em que vai se sentido forte,
senhor da situação, vai aumentando a frequência e o tamanho de seus pedidos.
Baseado no
tremendo erro de cálculo de Bolsonaro, que começou descartando qualquer
negociação com os partidos e depois voltou atrás e até para Luciano Bivar já
ligou, depois de implodir com o PSL, o presidente chegou ao ponto de abate.
Agora mesmo, o
Centrão quer que ele se livre do general Pazuello na Saúde e olha com vivo
interesse para o Ministério do Meio Ambiente, onde Ricardo Sales (aquele que
queria passar a boiada em meio ao coronavírus) parece derreter-se no cargo
diante da pressão de fundos internacionais.
O incrível nessa
história é que o Brasil como um todo pode sair no lucro com isso.
Agora RN
