A pandemia do novo coronavírus não deveria nos ensinar o que fazer, mas, infelizmente, ensina. E, embora tantas lições tenham pego a todos de surpresa num período relativamente curto de tempo, a crise sanitária revelou a nossa imensa incapacidade coletiva de aprender e fazer o que é certo.
O primeiro impulso de boa parte dos atores desse processo foi tirar
proveito da crise, realçando tradicionais diferenças entre os grupos ao invés
de atenuá-las.
União, estados e municípios, por meio de seus comitês científicos,
protagonizaram um divórcio à medida em que a crise avançava com rapidez.
As guerras e depressões econômicas do século 20 ocorreram sem que o
cidadão comum soubesse o que o havia atingido. Hoje, com a internet e a
tecnologia, foi possível saber o grau de destruição imposto pela Covid-19 em
tempo real.
O governo, brasileiro, no entanto, preferiu ignorar.
O aparelhamento estatal por militares da ativa e da reserva agregou
um ingrediente que se imaginava superado: a cooptação das Forças Armadas ao
poder de turno, quando essas armas sagradas não deveriam mais se prestar a esse
papel.
E o fato dessa ressurreição estar atrelado a um capitão
insubordinado em seus tempos de caserna, mas dono de votos, não ajudou nada a
imagem dessa importante instituição.
Poupados pela reforma previdenciária que atingiu a esmagadora
maioria dos brasileiros e recompensados pecuniariamente ao ingressar no
governo, um número crescente de militares parece cada dia mais gostar do
perfume do poder.
O fato é que as Forças Armadas pertencem ao Brasil e aos
brasileiros e não às estruturas de poder, como parte interessada do ponto de
vista corporativo.
E era de se supor que esta discussão já estivesse superada, até
que, saído do baixo clero da Câmara Federal, apareceu um capitão mal militar,
mas bom de voto.
Num momento em que o País começava a reavivar sua confiança nos
nobres homens e mulheres fardados que deveriam nos proteger como uma nação,
voltamos a falhar.
Agora RN
