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| © Sérgio Lima/Poder360 O plenário da Câmara dos Deputados |
As despesas da Câmara com alimentação dos
deputados registradas na Cota Parlamentar subiram 32,9% de 2018 para 2019, em
valores nominais. Descontando a inflação, o aumento foi de 28,58%.
A alta quebra a tendência dos últimos anos: de 2015 a 2018, foram 4
quedas seguidas, baixando de R$ 1,3 milhão para R$ 609,6 mil o consumo nessa
área. Em 2019, na nova legislatura, o valor gasto com a alimentação dos
deputados aumentou para R$ 810 mil.
Esses gastos são cobertos pela Cota Parlamentar –mais conhecida
como “cotão”. Os deputados têm até 90 dias para lançá-los. Ainda há 3 meses
para que as despesas de 2019 sejam registradas.
A comparação foi feita com os meses de
janeiro a agosto de cada ano. Agosto é o último mês completo com dados lançados
na base de dados baixada pelo Poder360 do site da
Câmara, em dezembro.
O gráfico a seguir mostra os valores nominais (sem correção
monetária) gastos desde 2010, 1º ano inteiro com o “cotão” funcionando da forma
que se conhece atualmente.
As duas maiores despesas registradas são da Liderança do Pros. Uma, de
R$ 6.000, se refere a 10 coffee breaks, de R$
600 cada. A outra,
paga à mesma empresa, custou R$ 5.400. De acordo com a nota fiscal, foram 9
refeições para a bancada do partido na Câmara.
A despesa mais alta de 1 único deputado, de janeiro a agosto de
2019, foi de Rubens
Bueno (Cidadania-PR). A nota
fiscal soma R$ 1.383,10, emitida pelo Mercure Hotel, em
Brasília. Inclui, entre outros serviços, café da manhã de R$ 926,10 e jantar de
R$ 268,20. Na base de dados da Câmara, constam R$ 1.280.
A 3ª despesa mais alta registrada por 1 único político também é de
Bueno. Neste caso, o documento é
de R$ 1.333,70. Inclui café da manhã de R$ 884, jantar de R$ 275,40 e
alimentação via room service por R$ 168. Também no
Mercure.
Por meio de sua assessoria, o deputado disse que as despesas são
referentes a 1 mês inteiro, e não a uma única refeição. Afirma que é freguês do
hotel, que anota as compras e as cobra em conjunto.
Também falou sobre a diferença entre os valores expressos nos
documentos e no arquivo da Câmara: “A divergência de valores se refere a
itens não cobertos pela Câmara e que não lançamos para ressarcimento. Ou seja,
o valor a maior é pago pelo parlamentar”.
O deputado Alexandre
Frota (PSDB-SP) foi responsável por registrar a 2ª maior
despesa no período analisado. A nota
fiscal do tucano, anotada na base de dados com valor de R$
1.273, é de R$ 1.400,30.
O valor abarca 19 refeições em buffet de jantar, a R$
67 cada, totalizando R$ 1.273. A diferença entre o registrado no arquivo da
Câmara e a nota fiscal é o valor da taxa de serviço: R$ 127,30.
A assessoria de Frota disse que a despesa é relativa a 1 período em
que o deputado ficou em Brasília, e as refeições dele no hotel foram lançadas
todas em uma mesma nota.
Tendência geral
O aumento de 2019 não só é contrário à tendência de baixa nos
gastos com alimentação dos deputados nos últimos anos como contrários à tendência
geral do cotão. O Poder360 mostrou que
os gastos em 2019 estão no patamar mais baixo da série histórica.
Essa configuração da Cota
Parlamentar existe desde 2009. Além de alimentação, pode ser
usada para pagar despesas como passagens aéreas em deslocamentos entre Brasília
e a base dos políticos, e manutenção de escritórios políticos regionais, entre
outras.
Poder 360
