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| © Ana Rayssa/CB/D.A Press A crise que atingiu a geração 2020 pode atrapalhar o rendimento futuro desses jovens |
Nascer em uma época onde a internet e
outras tantas tecnologias já existiam muda a forma como as pessoas se
relacionam uma com as outras e, consequentemente, diversos aspectos da vida. A
relação com o emprego é uma delas. Apesar de a tecnologia ajudar em alguns
aspectos, com a crise econômica, a geração 2020 pena para conseguir o primeiro
emprego. Um levantamento do professor Naércio Menezes, coordenador do Centro de
Políticas Públicas do Insper, mostra que os jovens nascidos no ano 2000
enfrentaram uma maior taxa de desocupação, ao completarem 18 anos, do que os
jovens nascidos em 1996, por exemplo.
A crise que atingiu a geração 2020 pode atrapalhar o rendimento
futuro desses jovens, que não conseguem o primeiro emprego adequado. “Há
estudos mostrando que, quando você faz 18 anos e chega ao mercado de trabalho
em um momento de crise, isso diminui o seu rendimento ao longo de toda vida”,
afirma Menezes. O economista ressalta que o processo de experimentação é muito
importante.
Para ele, a
tecnologia, presente no dia a dia da geração 2020, desde o nascimento, pode
ajudar, mas também pode atrapalhar quando a questão é o mercado de trabalho. “A
tecnologia traz uma alternativa de emprego em um momento de crise. Pode não ser
o ideal, mas é uma alternativa. Então, nesse aspecto, a tecnologia gera
emprego. Por outro lado, os empregos tradicionais e formais vão diminuir, já
que robôs vão fazer grande parte das tarefas que eram desempenhadas por
pessoas”, diz.
Os milhões de
desempregados espalhados pelo Brasil preocupam a estudante de enfermagem Ana
Gabrielly, que completará 20 anos em 2020. “Me preocupo bastante com os índices
de desemprego, porque eu mesma já passei por esse momento e é bem ruim. É muito
complicado você ver uma pessoa pedindo dinheiro na rua ou no semáforo para
poder sustentar sua família. A gente vê até pessoas da minha idade trabalhando
nas ruas para poder conseguir tirar uma renda”, conta.
Segundo
Menezes, trabalhos informais são alternativas que vão crescer no futuro. “É uma
tendência de longo prazo, pois teremos mais flexibilidade no mercado de
trabalho. Vai ter mais rotatividade entre empregos e é difícil imaginar que os
jovens vão trabalhar em uma única empresa”, avalia.
O estudante de
publicidade Jean Michel, também prestes a completar 20 anos, prefere olhar com
otimismo para o futuro. “Apesar de tudo isso, eu espero que seja bom. Acho que,
talvez, haverá mais oportunidade de emprego, mais áreas novas. Novas profissões
vão ser criadas. Eu tenho esperança nisso. Penso que vou me formar, sim, e vou
lutar por isso”.
Sonhos
Para Jane Farias Ferreira, doutora
em processo de desenvolvimento humano e saúde, o espírito positivo e sonhador
dos jovens é algo que permanece entre diferentes gerações. “Toda juventude é
sonhadora. Nesse ponto, os jovens não mudaram. O que mudou foi o tipo de
instrumento, o recurso utilizado para alcançar esses sonhos”, analisa.
No entanto, a
professora do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB)
reconhece que sonhos mudaram. “Esses jovens têm uma experiência de
relacionamento diferente, constroem família mais tarde. Hoje, o jovem sai de
casa não somente para formar uma família, mas porque quer explorar o mundo e
entrar no mercado de trabalho”, afirma. (MEC.CL,AP)
Mais afetados
Com dificuldades para entrar no mercado de trabalho, os jovens são os
mais afetados pelo desemprego, situação que piora em tempos de crise. No
terceiro trimestre de 2019, o número de brasileiros entre 18 e 29 anos de idade
procurando vagas chegou a 5,7 milhões, de acordo com dados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Cinco anos antes, no mesmo
período, 3,3 milhões estavam nessa situação. Segundo dados da mesma pesquisa, a
taxa de desemprego entre a população, em geral, era de 11,8% no terceiro
trimestre do ano passado. Entre os brasileiros de 18 a 29 anos, o índice era de
20,5%, quase o dobro do geral.
Correio Braziliense
