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| © Sérgio Lima/Poder360 Paulo Marinho disse que a família Bolsonaro soube de operação envolvendo Queiroz antes dela ser deflagrada |
A TV
Globo teve acesso a trechos do depoimento, prestado em 21 de maio ao
Ministério Público Federal do Rio de Janeiro. Marinho explicou que ligou para
Bebianno em 13 de dezembro, mesmo dia da reunião em que Flávio falou do
vazamento da operação. Marinho pediu que Bebianno conversasse com Bolsonaro.
“‘Essa
história é mais grave do que parece, eu acho importante você informar ao
presidente’. Ele [Bebianno] aí desligou, agradeceu. Ele [Bebianno] depois
liga e me diz o seguinte: ‘Entrei na sala do presidente, no escritório da
transição, chamei, tinha muita gente com o presidente, falei: ‘É urgente’. Ele
[Bebianno] tinha intimidade total com o presidente. ‘Levei o presidente pro
banheiro da sala e fiquei com ele 10 minutos dentro do banheiro contando pra
ele a história que você [Marinho] me contou. O presidente me
pediu que voltasse para o Rio para acompanhar esse assunto’”, disse Marinho
no depoimento.
Procurado
pela Globo, o Palácio do Planalto disse que não vai comentar o
assunto. Flávio Bolsonaro, em nota, falou que “as afirmações de Paulo
Marinho têm objetivo simples: manipular a Justiça em interesse próprio. Marinho
parece desesperado por holofotes e por 1 cargo público. Inventa narrativas para
tentar ocupar uma vaga no Senado sem passar pelo crivo das urnas. A defesa
informa ainda que o parlamentar já prestou todos os esclarecimentos a respeito
do tema. E o senador nega, categoricamente, o que foi dito por Marinho“.
Paulo Marinho é suplente de Flávio no Senado.
Bebianno era
presidente nacional do PSL na altura da eleição de Bolsonaro. Foi uma das
pessoas mais próximas do presidente durante a campanha e assumiu o posto de
ministro da Secretaria-geral da Presidência. Deixou o cargo em fevereiro de 2019,
depois de passar por 1 processo de “fritura” –sobretudo por atritos com os
filhos do presidente. Bebianno morreu em março de 2020, em decorrência de
1 infarto fulminante.
VAZAMENTO DA OPERAÇÃO
Fabrício
Queiroz foi preso na Operação Anjo, 1 dos
desdobramento da Operação Furna da Onça. Ele é acusado de participar de suposto
esquema de “rachadinha” –a prática de tomar parte do salário de servidores– no
gabinete de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). Flávio,
que foi deputado estadual antes de se tornar senador, nega ter recebido informações vazadas sobre a operação.
Entenda mais sobre a investigação neste post do Poder360.
Paulo Marinho
disse que a família Bolsonaro foi avisada da operação depois do 1º turno das
eleições. No depoimento, Marinho relatou que o senador escolheu 3 pessoas que
seriam responsáveis por recolher informações com 1 delegado da PF: Victor
Granado (amigo do senador), Valdenice Meliga (ex-assessora de Flávio) e Miguel
Angelo Braga (atual chefe de gabinete de Flávio).
Foi a partir
do encontro com o delegado que, segundo Marinho, a informação da existência da
operação chegou ao clã Bolsonaro, assim como o envolvimento de Queiroz. Ele
disse também que o delegado explicou que a Furna da Onça seria deflagrada
depois do 2º turno das eleições presidenciais de 2018, para não atrapalhar as
chances de eleição de Jair Bolsonaro.
Victor
Granado, ao saber da operação, obrigou Queiroz a fornecer senhas de contas bancárias.
Segundo Marinho, o montante presente nessas contas seria superior ao R$ 1,2
milhão divulgado quando a operação foi deflagrada.
Poder 360
