Eleito com discurso de modernizar a máquina pública e reduzir os gastos com o alto funcionalismo, e pedir para que os servidores aceitem o congelamento de seus salários por causa da pandemia, ele acaba de abrir espaço para militares da ativa e da reserva engordarem seus vencimentos.
E, num período de horas, por meio de jetons,
turbina os ganhos de seus aliados nos conselhos de empresas estatais.
Esses adicionais, como revelou neste final de
semana o jornal O Estado de S.Paulo, chegam a R$ 40 mil por pessoa e, somados
aos salários, permitem vencimentos superiores ao limite salarial da
administração pública.
Os felizardos são 333 civis e 12 militares, dos
quais dez da ativa, incluindo aí os ministros Marcos Pontes, da Ciência,
Tecnologia e Inovações e Bento Albuquerque, das Minas e Energia, que acumulam
vencimentos como integrantes do governo e de conselhos de estatais. Isso,
poucos dias após reajustar vencimentos do grosso das Forças Armada ao custo de
bilhões por ano.
Com isso, Bolsonaro dá um passo decisivo para se
tornar um museu de grandes novidades, tomando a imagem emprestada do saudoso
Cazuza. Ou, se quiserem, fazendo tudo igualzinho a dos tempos do PT, quando a
máquina de Estado era aparelhada sem a menor cerimônia. Só que, desta vez, é o
aparelhamento ideológico oposto.
Com uma nova onda da pandemia à vista, a formidável
escalada do governo em favor de sua própria sobrevivência, não dando a mínima
para os brasileiros mortos até agora pelo coronavírus, indica o tamanho de um
futuro incerto.
Agora RN
