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| AFP PHOTO / NELSON ALMEIDA - Ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva |
O PT vai encaminhar ao ex-presidente da República Luiz
Inácio Lula da Silva proposta dos governadores petistas de abrir negociações
para a escolha do vice na chapa do partido para a disputa presidencial. Na
prática, isso é interpretado por setores da sigla como a primeira vez o PT vai
provocar Lula, condenado e preso na Operação Lava Jato, a se manifestar sobre a
possibilidade de ser substituído na eleição do dia 7 de outubro.
Duas
semanas atrás a corrente majoritária do PT, Construindo um Novo Brasil (CNB),
da qual Lula faz parte, tentou barrar o debate quanto à escolha do vice por
entender que isso desencadearia novas especulações sobre um “plano B”.
Segundo
fontes que participaram da reunião entre a direção petista e os governadores do
partido, quarta-feira, em Brasília, ao menos dois dos quatro cenários em estudo
no PT apontam a indicação de possíveis planos B para a vice.
O
principal deles é a indicação de um petista. Os nomes cogitados são os do
ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, os ex-ministros Jaques Wagner e Celso
Amorim e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann. Qualquer um destes nomes poderia
substituir Lula caso o petista seja barrado pela Justiça.
O
segundo cenário é a escolha de Ciro Gomes, candidato a presidente pelo PDT. No
caso de Ciro vale a mesma lógica. Se Lula for barrado, o pedetista viraria
candidato a vice. Esta hipótese esbarra em Ciro que não abre mão de encabeçar a
chapa.
O
terceiro cenário seria a escolha do empresário Josué Gomes da Silva, filho do
ex-vice-presidente José Alencar, hoje filiado ao PR. É o nome ideal do PT, mas
também a hipótese mais improvável, já que sua indicação depende de Lula
contornar os entraves jurídicos, algo que mesmo os lulistas mais fiéis admitem
ser quase impossível. Petistas, porém, não descartam que o nome de Josué pode
evoluir para ser a cabeça de chapa.
O
quarto cenário é não falar em vice agora para evitar as especulações sobre
“plano B”. Depois da reunião com os governadores Gleisi deixou claro que a
decisão será de Lula. Segundo fontes do PT, o ex-presidente sugeriu que as
conversas ocorressem extraoficialmente e que o processo de escolha do vice só
seja desencadeada publicamente depois da Copa do Mundo.
O
encaminhamento da proposta até Lula faz parte de um acordo firmado entre Gleisi
e os governadores. Segundo participantes da reunião, a presidente do PT se
comprometeu a tratar do assunto com o ex-presidente em troca de os governadores
seguirem a decisão de Lula.
Até
lá a direção do PT vai se concentrar na negociação das alianças estaduais,
principalmente com partidos de centro-esquerda como o PDT, PSB e PCdoB. O PSOL,
tradicional adversário do PT, também será procurado para acordos locais.
O
PT avalia que o bom desempenho de Lula nas pesquisas, mesmo depois de preso, é
um trunfo eleitoral importante para a negociação de alianças estaduais. Em
conversas preliminares, petistas perceberam o interesse de vários candidatos a
governador, principalmente no Nordeste, de contar com o apoio do ex-presidente.
Com
isso, cresce no PT o apoio à estratégia de manter o nome de Lula durante o
máximo de tempo possível e fazer a troca de candidato só depois que a Justiça
decidir se aceita o registro da candidatura.
Por
isso o PT marcou para o dia 28 de julho, quase no limite imposto pela lei, a
convenção que vai decidir a chapa para a disputa presidencial. Na quinta, Lula
reiterou aos deputados Paulo Pimenta (PT-RS) e José Guimarães (PT-CE), que é
candidato. “Ele disse que é candidato e quer receber os governadores”, disse
Guimarães.
No
domingo, 27, o PT faz mais um “lançamento” da candidatura de Lula com pequenos
atos nas cidades onde o partido está organizado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Agência Estado
